Maria Ricardina
é Diná Lopes Coelho

“Há alguém que na infância e na adolescência foi investida da inquietação...

Deve, consequentemente, ter intuído gravemente que sua vida seria rica mas árdua.

Porque nunca desistiu, porque seu empenho na missão era dever e obrigação sofreu muito, mas ria um riso fundo porque sabia que vencia e prosseguia.

Somos testemunhas dessa mulher, que por ser maravilhosa teve companheiro insubstituível, filho, enteados e netos que se aproximavam dela como que atraídos por um pólo de certeza e de afeto.

Salve Diná Lopes Coelho,
amiga, mestra, pastora de artistas
patrimônio nosso,
nós te saudamos...”

Francisco Luiz de Almeida Salles
Homenagem da Associação dos Amigos do Museu de Arte Moderna em 1982

Diná

“Formada para tarefas superiores, no campo cultural que elegeu, sua biografia se confundiu com duas instituições de arte: a Bienal de São Paulo e o Museu de Arte Moderna.

E então, nasceram coisas maravilhosas.
E para citar apenas três, a fabulosa retrospectiva de Di Cavalcanti, o Panorama de Arte Brasileira ea importante exposição de arte surrealista e fantástica da VIII Bienal de São Paulo.”

Francisco Luiz de Almeida Salles
Homenagem da Associação dos Amigos do Museu de Arte Moderna em 1982

Nascimento: 19/05/1912
Pai: Carlos Mendes Gonçalves
Mãe: Emma Canton Gonçalves


1930
 
Diná foi casada com Joaquim Canuto Mendes de Almeida, irmão de Paulo Mendes de Almeida.
Diná acompanhou o percurso e a enorme vitalidade intelectual do jurista em suas incursões pela produção cinematográfica, pela composição musical, pela administração pública, magistratura e publicação de livros e artigos jornalísticos. Canuto escreveu “Cinema contra cinema”, teses de direito e processo penal para obter a docência e a cátedra na Faculdade de Direito São Francisco – USP.


1932

Com Canuto teve seu único filho
Carlos Angelo Mendes de Almeida


1941
 
Diná fez os cursos de Língua e Literatura Latina, Grega e Portuguesa e Ciências Pedagógicas.
Licenciatura em Letras Clássicas USP.
Mais tarde estudou Psicologia, História da Arte com Sérgio Milliet e Desenho com Sambonet.


1949
Passa a viver com o escritor Luiz Lopes Coelho, aquele que ela dizia ser o grande amor de sua vida.
Luiz participava da roda intelectual e boêmia mais famosa de São Paulo, a qual Canuto e Diná se juntaram depois de dois anos fora da cidade.
Luiz foi advogado de Oswald de Andrade, Flávio de Carvalho e escreveu livros de contos policiais excelentes.


1962
 
“Morrera Vanda Swevo em desastre de aviação.
Seria a Secretária Geral da Fundação Bienal de São Paulo. Ciccillo procurava substituí-la sem êxito.
Um dia veio à nossa casa, suplicando-me aceitasse o posto: o tempo já era pouco para preparar a VII Bienal.
Aceitei. “


1963
 
“Na Bienal, pude satisfazer meu desejo de homenagear “Quatro Grandes”. Promovi salas especiais de Tarsila, Anita Malfatti, Flávio de Carvalho e Di Cavalcanti.”


Diná e Yolanda Matarazzo

1967
Diná é convidada a assumir a direção do MAM.
Sua cultura, lucidez crítica, capacidade administrativa e sua experiência na Secretaria Geral da Bienal de S.P. foram decisivas para a efetivação de um alto nível nas iniciativas do MAM. Foi peça chave na instalação do MAM sob a marquise do Parque Ibirapuera.
Partiu de Diná a idéia de uma exposição anual de artistas de todo Brasil.
Nasceu então o PANORAMA DE ARTE ATUAL BRASILEIRA.
“Em dois meses revirou o Brasil procurou os bons artistas de todos os cantos. Ela teve a idéia, organizou, viajou, arrumou os painéis. Enfim, fez de tudo.”

Os trabalhos premiados do PANORAMA passaram a compor o acervo do Museu. Foi assim que o MAM conseguiu sua importante coleção de arte brasileira dos anos 70 e 80.

1971


1975
Diná perde seu companheiro Luiz Coelho em decorrência de um acidente de carro no Guarujá.

1982
Por seus 15 anos de trabalho e dedicação, Diná Lopes Coelho mereceu votos de louvor: do Conselho de Administração da Fundação Bienal de São Paulo, do Júri Internacional da VIII Bienal, das sucessivas diretorias do MAM, sob as presidências de Oscar Pedroso Horta, Eduardo Matarazzo, Joaquim Bento Alves de Lima Neto, Flávio Pinho de Almeida e Luiz Antonio Seráphico.

Diná, afastada do MAM escreve páginas de arte na imprensa paulista. Crítica de arte exigente, minuciosa, polêmica, expositora de suas idéias em linguagem direta, clara, contundente, espirituosa, é reconhecida por artistas e pela comunidade cultural da época.
Faz parte da Comissão de Artes Plásticas do Conselho Estadual de Cultura.
É membro do Conselho de Administração da Fundação Bienal.

É indicada para a direção da Pinacoteca do Estado.

Meu Amigo Di
por Diná Lopes Coelho

Jornal da Crítica 1997

No fim dos anos oitenta Diná decide que não quer mais ser vista, pois “está velha demais”...
Continua recebendo magnificamente seus netos e bisnetos em seu apartamento na Av. São Luis.
Vive de lembranças junto ao acervo adquirido ao longo de sua vida.
Os documentos e objetos de arte reunidos e preservados por Diná refletem o desenvolvimento de importante período das artes plásticas no Brasil.
Tendo acompanhado sua trajetória, seus netos participam desse ambiente, desenvolvendo genuíno interesse pela produção artística e cultural brasileira.

2003
Diná falece aos 90 anos, logo após a realização do documentário que se torna uma homenagem a ela.


Luiz Sacilotto, Diná “a santa...” e Flávio Shiró.

Obra mural do grande artista uruguaio Carlos Paez Vilaró, executado a pedido do Presidente do MAM Joaquim Bento Alves de Lima, destruído na reforma em 1983.

“Dejo em San Paulo para Dinah Coelho, mi sol de Casapueblo”  CARLOS PAEZ VILARÓ – 27/setembro/71.